quarta-feira, 9 de maio de 2012

A criança do ônibus

                                                                                                                                  
Fazia muito tempo que eu não andava de ônibus. Quando digo que fazia muito
tempo, estou me referindo ao ato de pegar ônibus todos os dias da semana, e não
uma vez ou outra. Entrei em um novo estágio e não dava para ir de carro sempre.
Além de ficar caro, o rotativo na região não passava de duas horas, e meu estágio
é de seis horas. Tinha me esquecido o quanto o transporte coletivo pode ser fonte
de boas histórias.
Eram quase três da tarde de uma sexta-feira. Trânsito normal, sem retenções
próximo à praça Raul Soares. Sexta é aquele dia maravilhoso que todos esperam a
semana toda. Eu não era diferente, estava na expectativa para o fim de semana.
O ônibus estava relativamente vazio. Sentei próximo à porta traseira do veículo
para evitar que, caso ele enchesse do nada, como sempre acontece, ficasse fácil
de sair.
Percebi que havia uma senhora sentada na poltrona atrás da minha. Ela estava
acompanhada de sua filha, Ana, pelo menos assim a mãe a chamava. Ana não
parava de falar, tagarela que só ela. Sua mãe, muito paciente, dava corda para a
menina que, aparentava não passar dos seis anos. De repente, lá fora, avistei um
carro de luxo, era um daqueles grandes carros da marca Hyundai, o ix35. Logo
pensei – isso que é carro.
O que me chamou a atenção foi a inocência de Ana ao ver o veículo. Ela fez uma
cara de impressionada e puxou a mãe pela manga da blusa dizendo: “Mãe! Mãe!
Olha aquele carro, é muito bonito”.
A mãe com um sorrisinho tímido logo respondeu: “realmente filha, mas esse carro
é muito caro”.
Ana entristeceu, mas fez questão de retrucar: ”é deve ser mesmo, nossa se ele
custasse uns 100 reais meu pai podia comprar e ele ia ficar muito feliz”.
“Iria mesmo”, acenou a mãe com a cabeça. “Mas e o carro do seu tio Zé Roberto
heim ?! Quanto você acha que vale?”
A menina não conseguiu conter as gargalhadas – Ah mãe! Coitado do tio Zé
Roberto, o carro dele não deve valer nem 10 reais.
E foi assim rindo do pobre tio Zé Roberto, que elas desceram do ônibus no
primeiro ponto da avenida Pedro II, região noroeste de Belo Horizonte. A lição que
fica? Crianças são bem sonhadoras, mas quando querem, também podem ser bem
cruéis. Coitado do tio Zé Roberto!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A copa no país das maravilhas


Bruno Menezes
 
O Brasil é sem dúvida o país do futebol. Com maior acesso a informação, muitos jovens sonham em jogar profissionalmente. Em 2014 o país será sede da copa do mundo. Diversas obras estão em andamento com a promessa de que, magicamente, tudo será melhor com sua chegada. Estaríamos vivendo um conto de fadas brasileiro?
Assim como em Alice do País das Maravilhas, Alice, ou melhor, a copa, chega a um Brasil diferente do que encontrou há mais de meio século atrás. E para recebê-la será necessário muito mais do que varrer a sujeira para debaixo do tapete. Diversas irregularidades já começam a aparecer como – a crise no setor de transportes, a denúncia de enriquecimento ilícito do presidente da CBF Ricardo Teixeira e o uso do dinheiro do BNDS , que querendo ou não, é dinheiro público, para a construção do Itaquerão. Esses são só alguns dos problemas que o país deve atropelar para conseguir fazer uma boa copa aos olhos do mundo.
O maior e mais respeitado evento futebolístico mundial, com certeza dará uma injeção de auto-estima aos brasileiros, gerando empregos e valorizando o turismo do país. As atenções se voltarão para a copa e por cerca de 30 dias todos os problemas nacionais ficarão em segundo plano. Mas e depois disso? Essa mobilização para a realização de um grande espetáculo é somente, como diziam nossos avós, “para inglês ver?”
A miséria, o desemprego, a violência, as desigualdades, os preconceitos e todos os outros problemas sociais que o Brasil enfrenta, terão fim com a copa? Para uma população que já viu de tudo, nada mais será surpreendente, o jeito é esperar e ver o impacto da copa no Brasil.

domingo, 24 de julho de 2011

Na tela dos brasileiros

Bruno Menezes

Apesar de serem muito criticados os programas populares vem ganhando cada vez mais espaço na mídia televisiva. Esse novo jornalismo voltado para o “povo” tem conquistado milhares de lares brasileiros e promete expandir-se cada vez mais. Visando atingir o público das classes C e D, ele é caracterizado por discutir questões ou fatos polêmicos do dia a dia com uma linguagem fácil e diferente da que vemos nos telejornais clássicos. Brasil Urgente (Bandeirantes), TV Verdade (Alterosa), Balanço Geral e Cidade Alerta (Record) são alguns dos programas que seguem esta linha.
Seus apresentadores assim como os temas retratados, geralmente são figuras polêmicas que não hesitam em mostrar voracidade em cada frase dita. Alguns ainda criam bordões como – “balança Brasil!”, “eu quero imagens!”, “põe na tela!” e com isso se tornam até ídolos do “povão”.
Podemos comparar esse tipo de jornalismo a um verdadeiro circo dos horrores, onde temos o picadeiro que é o estúdio, o apresentador do espetáculo que muitas vezes nos fazem rir com o jeito de abordar a notícia, e as atrações principais que são – crime, assassinato, drogas, corrupção, acidentes e mortes. Às vezes me pergunto se para ser um apresentador destes programas é necessário fazer teatro, pois o símbolo do teatro não é justamente a tragédia e comédia?Mesmo abordando temas tão pesados, eles jamais sobreviveriam nos dias atuais se não obtivessem uma boa audiência, ou seja, será que a tragédia e a comédia são os reais motivos que levam os brasileiros a assistirem os telejornais? É uma questão a se pensar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Um grande projeto urbano com falhas rodoviárias

Com o aumento da frota de veículos e do número de CNH’s emitidas,
Belo Horizonte tenta melhorar seu trânsito para a copa de 2014.

Bruno Menezes

Belo Horizonte é uma cidade planejada que tem como molde a Serra do Curral. Atualmente, é a sexta cidade mais populosa do país, com cerca de 2,4 milhões de habitantes segundo o censo 2010, e com uma estatística alarmante em relação ao tráfego de veículos. Uma combinação de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) mostra o tamanho do problema: cada quilômetro quadrado da cidade é ocupado, em média, por cerca de 4,6 mil veículos. Mais do que isso: a frota municipal cresceu num ritmo tão acelerado que, hoje, há um carro, moto, ônibus ou caminhão para cada 1,7 habitante.
O dono da Autoescola Ideal, João Davi dos Santos, 45, conta que os jovens na faixa etária de 18 a 21 anos são os que mais procuram tirar carteira de motorista hoje em dia. Segundo ele cerca de 22 pessoas em sua autoescola são aprovadas por mês no exame de legislação, desses 50% passam no exame de direção. Ou seja, somente nesta autoescola cerca de 132 motoristas são formados por ano. Um número alto se levarmos em conta de que em todo o estado de Minas Gerais existem 2090 Centros de Formação de Condutores (CFC’s).


















Opiniões sobre o trânsito de BH.

“O trânsito Belo-horizontino está um caos”, diz a dona de uma oficina mecânica, Carla Assis, 44. Ela conta que há poucos dias tentou ir à Pampulha através do anel rodoviário e demorou 3 horas. Ela saiu do bairro Betânia, que em um trajeto normal, demoraria menos de 30 minutos para completar o percurso.
Ela acredita que em 2014, mesmo com as obras que estão sendo feitas, Belo Horizonte não estará preparada para receber tantas pessoas de uma só vez. Destaca ainda, que o maior problema está nas principais avenidas como: Presidente Antônio Carlos, Pedro I e Presidente Carlos Luz que dão acesso ao estádio Governador Magalhães Pinto, conhecido como “Mineirão”.
“Essas avenidas são completamente intransitáveis no horário de pico, e acredito que um projeto melhor que alargá-las deveria ser feito. Além disto, a BHTRANS deveria ser extinta, pois a única coisa que sabem fazer é complicar o trânsito, mudando as ‘mãos’ das ruas ”, concluiu Carla.
“Quem diz que o trânsito de Belo Horizonte é caótico, é porquê nunca foi a outras cidades que se tornaram megalópoles, como São Paulo“, diz o estudante de Engenharia Mecânica, Júlio César, 19. Segundo ele a estrutura rodoviária de BH tem muito que melhorar para 2014, mas o trânsito está longe de ser caótico comparado com outras grandes cidades. E como o número de jovens com CNH vem aumentando muito, ele diz que os pais devem orientar melhor seus filhos antes de deixarem que eles saiam de carro pelas ruas.

O povo fala no Twitter.

“@hojevouassim: O trânsito de BH chegou ao seu ponto critico. Já é hora do rodízio.”.
“@jvviana: tem gente ai falando em bh pra abertura da copa. alguem viu essa cidade como ficou no carnaval? o transito ali na andradas foi o fim...”.
“@Marcocvieira : Essa é a nossa #BHTrans tornando o transito de BH um verdadeiro
BHTranstorno para sua vida hehehe”.
“@paulosajunior: Definição de Inferno: Trânsito de BH.”

O aumento na frota de BH.

Para a Auxiliar de Marketing da concessionária Garra Volkswagen, Caroline Tamietti, 24, várias causas podem causar o aumento da frota Belo-horizontina. “Acredito que a melhora na economia doméstica possibilitou que as classes C e D adquirissem o sonhado carro novo. Além disto, algumas concessionárias negociam automóveis em até 80 prestações fixas e o fortalecimento da economia no Brasil tem estimulado muita gente a comprar veículos em razão de o automóvel ser, principalmente sinônimo de status.”

O principal projeto para a copa de 2014.

Além das inúmeras obras que vem sendo feitas em Belo Horizonte, como o alargamento de avenidas e a construção de viadutos, a obra que promete “aliviar” o trânsito de BH são os chamados BRT’s. O Bus Rapid Transit (BRT) são corredores rápidos de ônibus que irão agilizar o transporte coletivo urbano, criando faixas exclusivas de trânsito e plataformas de embarque e desembarque. A obra custará cerca de R$600 milhões e será implantada nas principais avenidas que dão acesso ao estádio Governador Magalhães Pinto.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Derrota Corintiana deixa time longe de seu sonho


Após derrota do Corinthians para o Desportivo Tolima, cruzeirenses sonham com a Libertadores e acreditam que o “Timão” teve o que merecia depois da polêmica de 2010.

Bruno Menezes

Na primeira quarta-feira do mês de fevereiro, 2, o Desportivo Tolima, da Colômbia, fazia 2 a 0 sobre o Corinthians, classificando-se para a Libertadores 2011. Ali, foi adiado o sonho corintiano de ter a primeira Libertadores em seus mais de 100 anos de existência. O “Timão”, como é carinhosamente chamado, é um time formado por grandes estrelas do futebol, como os atacantes Dentinho e Ronaldo “Fenômeno”, mas tanto estrelismo não foi capaz de classificar o time na Libertadores. Torcedores cruzeirenses, felizes com a desclassificação do Corinthians, acreditam que este ano o Cruzeiro tem grandes chances de levar o título.

A polêmica entre Cruzeiro x Corinthians.

No ano de 2010, os dois times tinham grandes chances de levar o campeonato brasileiro, porém alguns erros da arbitragem fizeram com que, na reta final, o “Timão” ao enfrentar o Cruzeiro, eliminasse as chances do time mineiro de conquistar o título. Por ironia do destino, mesmo com os erros da arbitragem, o Cruzeiro terminou o campeonato à frente do Corinthians.
Para o estudante Guilherme Paiva, 19, o Cruzeiro estava jogando muito melhor que o time paulista, e apesar de ser injusto, seu time de coração acabou classificado para a Libertadores diretamente. Já o Corinthians teve que disputar o famoso jogo pré- libertadores, em que nenhum time brasileiro jamais havia perdido e foi derrotado para o modesto Tolima.

Que lição fica para o Cruzeiro ?

“A lição que fica, é que, na Libertadores, não tem apito amigo, ou seja, na Libertadores, o Corinthians não é nada”,
Concluiu Guilherme.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Encontro de Natal

Por Bruno Menezes

Mãos suadas, frio na barriga e um momento aguardado por 21 anos. Recebi a noticia por telefone, a ansiedade tomou conta, seria o primeiro de muitos, assim espero. Na noite do dia combinado o telefone toca e ele diz: “Se arrume, estou indo te buscar.”. Corro pro banho, normalmente o tempo médio é cerca de 15 minutos, mas se durou cinco foi muito. Arrumo, ao acabar a campainha toca. Lá estava ele – Meu Pai.
Pai, que por 15 anos não deu sequer uma notícia. Abandonou minha mãe quando eu ainda estava no primeiro ano de vida e a única pista que deixou: fui para São Paulo.
Rancor? Jamais! Cada um tem a liberdade de fazer suas escolhas, eu optei por tentar ter um pai, mesmo que “tarde”.
Ele, parado em frente ao meu portão, blusa branca, calça jeans, um sorriso no rosto e uma caixa embrulhada em papel de presente verde na mão.
Entregou-me o presente e disse: “Feliz Natal!”.
Entrei no carro e fomos para a casa de um dos seus irmãos. Chegando lá, grande parte dos convidados havia chegado e a comida já começava a ser servida. Conheci meu avô paterno, embora aparente ter sérios problemas de saúde devido ao uso excessivo de álcool e cigarro, consegue ter um diálogo normal sobre qualquer assunto atual. Minha avó, muito vaidosa, estava sempre preocupada com seus cabelos lisos e grisalhos, passou a noite toda conversando e rindo das conversas.À medida que as garrafas de cerveja esvaziavam, o nervosismo passava. As conversas entre eu e a família se tornaram descontraídas.
Descobri um tio professor de Jiu jitsu que até me chamou para ir à academia, mas minha religião (o grande sedentarismo) não permite. A melhor descoberta foi ver que mesmo não tendo contato com eles por tanto tempo, todos foram simpáticos e agiram como se me conhecessem desde pequeno. Foi um Natal comum, com comidas tradicionais desta época do ano, porém totalmente único por ser cheio de descobertas e por poder passar meu primeiro Natal ao lado do meu pai.


Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!