Minha última matéria para o programa Descolado
sábado, 12 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
A criança do ônibus
Fazia muito tempo que eu não andava de ônibus. Quando digo que fazia muito
tempo, estou me referindo ao ato de pegar ônibus todos os dias da semana, e não
uma vez ou outra. Entrei em um novo estágio e não dava para ir de carro sempre.
Além de ficar caro, o rotativo na região não passava de duas horas, e meu estágio
é de seis horas. Tinha me esquecido o quanto o transporte coletivo pode ser fonte
de boas histórias.
Eram quase três da tarde de uma sexta-feira. Trânsito normal, sem retenções
próximo à praça Raul Soares. Sexta é aquele dia maravilhoso que todos esperam a
semana toda. Eu não era diferente, estava na expectativa para o fim de semana.
O ônibus estava relativamente vazio. Sentei próximo à porta traseira do veículo
para evitar que, caso ele enchesse do nada, como sempre acontece, ficasse fácil
de sair.
Percebi que havia uma senhora sentada na poltrona atrás da minha. Ela estava
acompanhada de sua filha, Ana, pelo menos assim a mãe a chamava. Ana não
parava de falar, tagarela que só ela. Sua mãe, muito paciente, dava corda para a
menina que, aparentava não passar dos seis anos. De repente, lá fora, avistei um
carro de luxo, era um daqueles grandes carros da marca Hyundai, o ix35. Logo
pensei – isso que é carro.
O que me chamou a atenção foi a inocência de Ana ao ver o veículo. Ela fez uma
cara de impressionada e puxou a mãe pela manga da blusa dizendo: “Mãe! Mãe!
Olha aquele carro, é muito bonito”.
A mãe com um sorrisinho tímido logo respondeu: “realmente filha, mas esse carro
é muito caro”.
Ana entristeceu, mas fez questão de retrucar: ”é deve ser mesmo, nossa se ele
custasse uns 100 reais meu pai podia comprar e ele ia ficar muito feliz”.
“Iria mesmo”, acenou a mãe com a cabeça. “Mas e o carro do seu tio Zé Roberto
heim ?! Quanto você acha que vale?”
A menina não conseguiu conter as gargalhadas – Ah mãe! Coitado do tio Zé
Roberto, o carro dele não deve valer nem 10 reais.
E foi assim rindo do pobre tio Zé Roberto, que elas desceram do ônibus no
primeiro ponto da avenida Pedro II, região noroeste de Belo Horizonte. A lição que
fica? Crianças são bem sonhadoras, mas quando querem, também podem ser bem
cruéis. Coitado do tio Zé Roberto!
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