sábado, 25 de dezembro de 2010

Encontro de Natal

Por Bruno Menezes

Mãos suadas, frio na barriga e um momento aguardado por 21 anos. Recebi a noticia por telefone, a ansiedade tomou conta, seria o primeiro de muitos, assim espero. Na noite do dia combinado o telefone toca e ele diz: “Se arrume, estou indo te buscar.”. Corro pro banho, normalmente o tempo médio é cerca de 15 minutos, mas se durou cinco foi muito. Arrumo, ao acabar a campainha toca. Lá estava ele – Meu Pai.
Pai, que por 15 anos não deu sequer uma notícia. Abandonou minha mãe quando eu ainda estava no primeiro ano de vida e a única pista que deixou: fui para São Paulo.
Rancor? Jamais! Cada um tem a liberdade de fazer suas escolhas, eu optei por tentar ter um pai, mesmo que “tarde”.
Ele, parado em frente ao meu portão, blusa branca, calça jeans, um sorriso no rosto e uma caixa embrulhada em papel de presente verde na mão.
Entregou-me o presente e disse: “Feliz Natal!”.
Entrei no carro e fomos para a casa de um dos seus irmãos. Chegando lá, grande parte dos convidados havia chegado e a comida já começava a ser servida. Conheci meu avô paterno, embora aparente ter sérios problemas de saúde devido ao uso excessivo de álcool e cigarro, consegue ter um diálogo normal sobre qualquer assunto atual. Minha avó, muito vaidosa, estava sempre preocupada com seus cabelos lisos e grisalhos, passou a noite toda conversando e rindo das conversas.À medida que as garrafas de cerveja esvaziavam, o nervosismo passava. As conversas entre eu e a família se tornaram descontraídas.
Descobri um tio professor de Jiu jitsu que até me chamou para ir à academia, mas minha religião (o grande sedentarismo) não permite. A melhor descoberta foi ver que mesmo não tendo contato com eles por tanto tempo, todos foram simpáticos e agiram como se me conhecessem desde pequeno. Foi um Natal comum, com comidas tradicionais desta época do ano, porém totalmente único por ser cheio de descobertas e por poder passar meu primeiro Natal ao lado do meu pai.


Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!